Grupo Gattu conquista sede em casarão de SP

Riso talentoso: os atores Felipe Barros, Miriam Jardim, Elam Lima, Daniela Rocha, Eloísa Vitz e Flávio Bregantin posam no segundo andar do belo casarão do Grupo Gattu em São Paulo - Fotos: Eduardo Enomoto/R7
Por Miguel Arcanjo Prado
Fotos Eduardo Enomoto
O lindo casarão que ocupa o número 182 da rua dos Ingleses, uma das mais charmosas do tradicional bairro Bela Vista, em São Paulo, agora respira teatro em cada canto. O endereço é a nova sede do Grupo Gattu, criado há 12 anos pela atriz e diretora Eloísa Vitz.
Eles começaram a fazer teatro na Universidade Bandeirantes, na Barra Funda. Eloísa, com passagem pelo Grupo Tapa, foi professora do curso de teatro da faculdade. Desde então, a inquieta trupe fez 18 temporadas de 11 espetáculos.
Com a venda da Uniban, os novos donos não quiseram permanecer com o teatro. Uma pena. Mas acabou sendo a oportunidade de o grupo seguir rumo próprio, em casa nova.
No novo espaço, querem aprofundar seu trabalho de pesquisa, como conta Eloísa.
— Ter uma sede é fundamental para o desenvolvimento de uma pesquisa, porque, assim, conseguimos estabelecer uma rotina e autonomia.
Dentro do espaço não convencional de um casarão, o grupo se sente livre para criar sem limites. Mal chegaram e já pensam em abarcar o bairro com oficinas e intensa movimentação cultural no espaço, quase em frente ao Teatro Ruth Escobar. Eloísa faz uma provocação.
— O teatro não pode ser chato. Tem de ser instigante e divertido.
Inventivas, as peças do Grupo Gattu trazem elementos cênicos vindos de outras artes, como o circo e a dança, e até de esportes, como a luta e a esgrima. Com montagens infantis e adultas, a companhia dialoga com público diverso e está em busca de parceiros que se identifique com sua proposta. Afinal, pagar as contas da sede é preciso. Daniela Rocha, atriz do grupo, lembra que o preparo dos componentes é fundamental para a qualidade dos trabalhos.
— Nossa formação tem muita técnica de voz e de corpo. Buscamos uma formação de ator mais completa e sempre estamos atrás de cursos especiais para nos aprofundarmos em nossa pesquisa.
Além de Eloísa e Daniela, outros quatro atores do grupo receberam o R7 no espaço.
Elam Lima, está no Gattu há 11 anos. Chegou bem no começo de tudo. Confessa que “se apaixonou de cara” pela proposta. História semelhante tem a atriz Miriam Jardim, que se encanta com a “possibilidade de oferecer a melhor história da forma mais bem contada” à plateia.
Flávio Bregantin, que entrou no grupo como estagiário e até hoje é responsável pela iluminação, comemora: “Agora estamos entrando em uma nova etapa”. Felipe Barros, ator formado pelo Sesi, encontrou no Gattu espaço que precisava para exercitar sua arte. Diz que eles “formam uma família”. No dia da reportagem, por conta de outros compromissos, os atores Rafaela Ferri, Laura Vidotto, Breno Mendes, Daniel Gonzales, Mariana Fidelis e Victor Alves não estiveram presentes, mas foram lembrados pelos colegas.
Daniela finaliza, dizendo uma coisa que agrada a todos eles: “A Elô sempre inclui todo mundo no elenco!”.
Se Nelson Rodrigues virou moda neste ano, a turma do Gattu já trabalha com o mestre há tempos. Além da recente montagem de sucesso de A Serpente, também fizeram Dorotéia, Viúva, porém Honesta e Boca de Ouro. Autores clássicos, como Gil Vicente, também fazem a cabeça da turma.
A primeira montagem a estrear no novo espaço do grupo será o infantil Rapunzel, no mês de setembro. As obras para o teatro, no fundo do casarão, estão a todo vapor. Em outubro, esperam estrear seu novo espetáculo adulto, ainda mantido em segredo.
Mas aonde é que o Gattu quer chegar? Eloísa Vitz responde.
— A gente sempre soube que ia chegar em algum lugar, mas ainda não sabemos onde. Acho que só o tempo vai dizer. Só esperamos que seja um bom lugar.
Será.
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