Irmãos de Sangue mergulha no universo da disputa entre filhos pelo amor de uma mãe

Imagine uma ciranda artística que é um casamento entre teatro e dança – Foto: Xavier Cantat/Divulgação
Por ÁTILA MORENO, no Rio*
Especial para o Atores & Bastidores
É teatro? É dança? É teatro de bonecos? É show circense? São perguntas que podem surgir pra quem for assistir ao espetáculo Irmãos de Sangue, da companhia brasileira Deus à Deux, que está em cartaz no CCBB Rio.
Imagine uma ciranda artística nos palcos que consegue ser um casamento perfeito entre teatro e dança, sem ao menos deixar claro pra que lado se esquiva mais.
E isso é bom porque a peça causa uma confusão necessária, mexendo com sentimentos e percepções particulares.
Irmãos de Sangue é extremamente sensorial, poético e onírico ao falar da história de uma mãe e seus três filhos. Além do mais, a peça abusa da narrativa que tão pouco está preocupada com a ordem cronológica dos fatos.
Este é o nono espetáculo da Cia Dos à Deux, e que volta a tocar no tema família, que já foi abordado em dois espetáculos: Saudade em Terras d’Água, prêmio do público no festival de Avignon de 2005, e Fragmentos do Desejo, prêmio Shell 2010 na categoria especial.
André Curti e Artur Ribeiro são responsáveis pela dramaturgia, cenário, figurino e direção, e contracenam juntos com os ótimos Cécile Givernet e Matías Chebel.

Uma história que é carregada de dramaticidade e passa longe de ser piegas – Foto: Xavier Cantat/Divulgação
Todos ali tecem uma colcha de retalhos metafórica que vai sendo montada aos poucos. Cada elemento usado é minuciosamente indispensável na trama e vai sendo inspirado e expirado num redemoinho de emoções.
Aliás, uma história que é carregada de dramaticidade e passa longe de ser piegas: uma mãe tem que lidar com a morte do marido e criar três filhos que disputam exageradamente seu amor, carinho e atenção.
O ambiente com pouca luz leva à intimidade de uma família que tenta vencer a dor da perda. Os objetos em cena ganham forma, sons e se tornam personagem coadjuvantes.
Os gestos, que são milimetricamente combinados, acrobáticos e desafiam a lei da gravidade, expressam sentimentos à flor da pele.
A trilha sonora taciturna e dilacerante de Fernando Mota acompanha uma história recheada de muita tristeza e alegria.
Assim Irmãos de Sangue trava um batalha com inúmeras e diversas dualidades sem ser superficial. É espetáculo ao pé da letra, vivo, sem rodeios na linguagem, e que não subestima a inteligência do espectador.
*Átila Moreno é jornalista formado pelo UNI-BH e tem pós-graduação em Produção e Crítica Cultural pela PUC Minas.
Irmãos de Sangue
Avaliação: Ótimo
Quando: de quarta a domingo às 19h. 1h25. Até 23/02/2014
Sessões extras nos dias 26 de Janeiro, 02, 09, 16 e 23 de Fevereiro às 16 horas.
Onde: Centro Cultural Banco do Brasil – TEATRO 1 -Rua Primeiro de Março, 66 | Centro – RJ
Quanto: R$ 10
Classificação etária: 14 anos
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Esse tipo de competição acontece. Há vários casos relatados, tanto em consultórios de psicólogos quanto em manchetes policiais (infelizmente). É algo real.