Pândega e Selvática abusam da performance no Festival de Curitiba
Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Enviado especial a Curitiba*
Fotos ANNELIZE TOZETTO/Clix
Mais do que nunca a performance está presente no 25º Festival de Teatro de Curitiba, realizado até o próximo dia 3 na capital paranaense com mais de 350 espetáculos.
Entre muitos dos trabalhos apresentados, dois grupos se destacam por tocar o gênero com propriedade.
O primeiro é o paulistano Grupo Pândega de Teatro, liderado por Maria Alice Vergueiro e Luciano Chirolli, que encena o próprio velório da atriz em Why the Horse?, com sessão dupla nesta segunda (28) no Teatro da Reitoria.
O segundo é a trupe curitibana Selvática Ações Artísticas, sempre inquieta e que apresenta a obra Pinheiros e Precipícios, nos dias 30 e 31 de março, quarta e quinta, 20h e 23h, no Guairacá Cultural (r. São Francisco, 179, R$ 20 inteira e R$ 10 a meia).
Diretor de Pinheiros e Precipícios, Ricardo Nolasco conta que a peça traz textos do autor paranaense Wilson Bueno (1949-2010), com personagens marginais da noite curitibana, na dramaturgia assinada por Francisco Mallmann.
“Mostramos a Curitiba que não está nos cartões postais; exploramos o espaço e a rua”, define.
Claudete Pereira Jorge, uma das principais atrizes do Paraná, aceitou o convite para integrar o elenco da obra. “Ela é uma atriz da palavra. Na peça, a Claudete é uma alegoria para Curitiba, um grande ventre que a todos pariu”, filosofa Nolasco.
Complementam o elenco Jeff Bastos, Leonarda Glück, Patricia Saravy, Simone Magalhães e Stéfano Belo.
“A peça é o desafio de colocar uma geração de artistas curitibanos na rua”, diz Nolasco.
Sua colega na Selvática, Rafa Poli, que está no coro da peça, diz que a construção foi performática. “Começo minha cena na rua São Francisco, e o coro vai se diluindo”, revela.
Além de Rafa, também estão no coro Amira Massabki, Bianca Amante, Heleno Rohn, Julio Constantino, Léo Bardo, Mari Paula, Melina Mulazani, Patricia Cipriano, Priscila Amante e Semyramys Monastier, que também assina a luz.
Além deles, há a presença de Jo Mistinguett fazendo a trilha sonora ao vivo e do próprio diretor Nolasco, “que dirige em cena”.
Se os curitibanos explodem em vida com seu teatro performativo, os paulistas colocam a morte no palco, remodelado para ser o velório de Maria Alice Vergueiro.
Dramaturgo de Why the Horse?, Fábio Furtado diz que a peça, com mais de um ano de estrada, foi se modificando diante das apresentações.
A obra é um desejo de Maria Alice, de 81 anos e que enfrenta o mal de Parkinson, de morrer em cena.
“No processo da peça ela pegou uma infecção hospitalar e foi muito complicado, mas ela se recuperou”, conta Furtado.
O dramaturgo revela que a atriz passou com o tempo a assumir coisas que antes evitava. “Agora, ao fim, ela fica deitada, como se estivesse morta. O público vai lá vê-la deitada, faz confissões em seus ouvidos”, revela.
Carolina Splendore Cameron, que também integra o elenco da peça assim como Robson Catalunha, diz que há um contraste interessante entre o elenco jovem e Maria Alice.
“No momento que queremos falar de vida, ela quer falar da morte. Mas a sensação que fica em mim é que é a mesma coisa. Porque ela só pode falar da morte exercendo muita vida”, reflete.
*O jornalista MIGUEL ARCANJO PRADO viajou a convite do Festival de Curitiba.
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