Morre Phedra D. Córdoba, diva cubana do teatro brasileiro

Phedra D. Córdoba, durante o show Phedras por Phedra, que a homenageou no último dia 25 de março, no Teat(r)o Oficina, sua última aparição pública – Foto: Marcos Aspahan
Por MIGUEL ARCANJO PRADO
Morreu, neste sábado (9), no Hospital Heliópolis, em São Paulo, a atriz Phedra D. Córdoba, grande diva cubana do teatro brasileiro.
Phedra lutava contra um câncer, descoberto em fevereiro deste ano. Ela completaria 78 anos no dia 26 de maio.
A atriz cubana já tinha ficado internada no mesmo hospital, mas havia voltado para o apartamento onde vivia na praça Roosevelt, no mesmo prédio em que funciona a sede de seu grupo teatral, Os Satyros.
Contudo, Phedra passou mal neste sábado (9). Amigos a levaram ao Hospital, onde ela faleceu, horas depois. Segundo o enfermeiro que a cuidava, nos minutos finais, ele a perguntou se estava sentindo muita dor. Phedra respondeu: “É muito amor”. Foram suas últimas palavras.
Rodolfo García Vázquez, diretor do Satyros, e Maria Casadevall, atriz do grupo, resolveram os trâmites para o funeral.
O velório é neste domingo (10) no Espaço dos Satyros 1 (praça Roosevelt, 222), palco onde a diva brilhou tantas vezes. Às 14h, o corpo segue para o Crematório da Vila Alpina (av. Francisco Falconi, 437), onde será cremado às 15h.
Os amigos de Phedra estão inconsoláveis.
“Estou destroçado. Ela fez todo o sentido no nosso trabalho. Ela era a praça Roosevelt na verdade. Ela nos abriu portas, é muito difícil, cara, estou acabado. Ela deixou muitas possibilidades para a gente, para todos nós”, disse Ivam Cabral, fundador do grupo Os Satyros ao lado de Rodolfo García Vázquez e amigo íntimo da atriz.
Robson Catalunha, que estreou como diretor dirigindo Phedra no espetáculo Phedra por Phedra, sucesso na praça Roosevelt em 2015, falou com a reportagem aos prantos. “Estou sentado na calçada, não sei o que dizer. Eu cresci muito com ela”. Cléo De Páris, atriz do Satyros e amiga íntima de Phedra, também não conseguiu falar nada, tamanha a emoção.
O cantor e compositor Luiz Pinheiro, que fez a música com o nome da atriz, falou: “Ela teve as homenagens merecidas em vida e nos tornou pessoas melhores. Que Deus a tenha em um lugar tranquilo. Nossa estrela agora brilhará no céu de todos nós. Colibri, jatobá, loba”, disse, citando o refrão da música que compôs para sua amiga.
Veja Phedra na peça Transex, de 2004:
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Zé Celso e Phedra D. Córdoba no último dia 25 de março, no palco do Teat(r)o Oficina, onde ela foi homenageada – Foto: Marcos Aspahan
Grande homenagem
No último dia 25 de março, feriado da Sexta-feira da Paixão, uma grande homenagem foi feita a Phedra D. Córdoba no Teat(r)o Oficina, em um show que reuniu seus grandes amigos no palco do Oficina.
A homenagem, chamada Phedras por Phedra, emocionou a todos. Zé Celso definiu a noite como “uma das mais importantes da história” do teatro.
Perfil de diva
Phedra D. Córdoba nasceu em Havana, em 26 de maio de 1938.
Nasceu Felipe Rodolfo Acebal, caçula dos oito filhos do oculista Horário Acebal e da dona de casa Maria Teresa Betancourt.
Desde criança, queria estar nos teatros de Havana: “Sempre quis ser diva”, dizia.
A família rejeitava sua alma feminina. “Minha mãe me combatia, meus irmãos caçoavam, meu pai não falava nada”, contou a este repórter em 2009.
Aos 16, pouco antes de o comunista Fidel Castro tomar o poder na ilha, fugiu de Cuba e ganhou o mundo.
Apresentou-se por vários países até aportar no Rio, em 1958, convidada pelo produtor Walter Pinto para fazer teatro de revista, ainda como Felipe D. Córdoba. Mas logo virou Phedra. “Com Ph mesmo, porque é grego. Muitos donos de boates erravam nos cartazes e botavam F”, explicou.
Em 1972, mudou-se para São Paulo, para “fazer dramaturgia”. Virou ícone da noite paulistana.
Em tempos de repressão da ditadura, afirmava ser espanhola, e não cubana, com medo de ser perseguida, apesar de não ser comunista e sempre ter tido postura crítica ao regime castrista.
Em 2008, 54 anos depois de haver partido, Phedra voltou a Cuba, para apresentar a peça “Liz”, com Os Satyros, em Havana. “Senti como se fosse estrangeira em minha terra”, definiu.
Conheceu “sobrinhos, sobrinhos-netos e até sobrinhos-bisnetos” e ficou feliz em ser acolhida. “Eles não foram homofóbicos. Me chamaram de ‘tia Phedra’. Nós todos choramos muito”, revelou a este repórter, ao voltar.
Chegou a receber, no camarim, a visita do ministro da Cultura de Havana. “Chegou um general velhinho querendo me ver. Nem sabia quem era. Ele falou: ‘Eu quero ver a minha rainha’. Posso querer mais do que isso? Voltei para Cuba como Diva!”, comemorou.
Veja fotos de Phedra D. Córdoba:

Phedra D. Córdoba em cena de A Vida na Praça Roosevelt, com o grupo Os Satyros, em 2005 – Foto: André Stefano

Phedra D. Córdoba no lançamento do filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, em São Paulo, em agosto de 2015 – Foto: André Stéfano

Maria Casadevall, Cléo De Páris, Paula Cohen, Robson Catalunha e Gero Camilo, responsáveis pelo show Phedras por Phedra, que foi a grande homenagem que ela recebeu no Teatro Oficina antes de sua morte – Foto: André Stefano

A atriz Phedra D. Córdoba filma A Filosofia na Alcova em 2015: filme deve ser lançado no segundo semestro pelo Satyros Cinema – Foto: André Stefano

A diva Phedra D. Córdoba brilha na peça A Filosofia na Alcova, em 2015 – Foto: André Stéfano/Divulgação

Hugo Godinho, Henrique Mello e Phedra D. Córdoba em um trio inusitado em A Filosofia na Alcova, em 2015 – Foto: André Stéfano/Divulgação

Phedra D. Córdoba e Evaldo Mocarzel, diretor do documentário sobre ela, Cuba Libre, no dia do lançamento do filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, em agosto de 2015 – Foto: André Stéfano

Phedra D. Córdoba e Esther Antunes no lançamento do filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, em agosto de 2015 – Foto: André Stéfano

Phedra, no alto, à esquerda, com o elenco da peça Vestido de Noiva, do Satyros, em 2012 – Foto: André Stefano

Pascoal da Conceição e Phedra D. Córdoba apresentam 4º Prêmio CPT, da Cooperativa Paulista de Teatro, em 2012 – Foto: Taba Benedicto

Phedra D. Córdoba no show dirigido por Robson Catalunha para celebrar seus 77 anos – Foto: Su Stathopoulos

Corpinho enxuto aos 77 anos: detalhe das pernas de Phedra em seu show – Foto: Su Stathopoulos/Divulgação

Já disseram que ela tem um holofote dentro de si: Phedra D. Córdoba é ela mesma no palco do Estação Satyros, no show Phedra por Phedra – Foto: Su Stathopoulos/Divulgação

Phedra sendo diva no palco em seu show Phedra por Phedra, dirigido por Robson Catalunha – Foto: Su Stathopoulos/Divulgação

A diva cubana Phedra D. Córdoba no palco do Estação Satyros em Phedra por Phedra, em junho de 2015 – Foto: Carina Moutinho/Divulgação

Phedra ao lado de um de seus retratos: ela deixou sua história arquivada e escrita por ela mesma – Foto: André Stéfano

Phedra D. Córdoba comemora seus 77 anos em 26 de maio de 2015, seu último aniversário – Foto: Arquivo pessoal

Phedra com seu grande amigo Luiz Pinheiro, que compôs a música que leva seu nome, em agosto de 2015 – Foto: André Stefano

Phedra beija o amigo Robson Catalunha, diretor de seu show Phedra por Phedra – Foto: Arquivo pessoal

Dia de visitas ilustres nos show Phedra por Phedra, no Estação Satyros: André Pomba, Cagni, Robson Catalunha, Hugo Possolo, Phedra D. Córdoba, Divina Nubia, Lerte Coutinho e João Silvério Trevisan – Foto: Arquivo pessoal

Fabio Penna, Luiz Pinheiro, Ivam Cabral, Phedra D. Córdoba, Robson Catalunha e Gustavo Ferreira na sessão de Hipóteses para o Amor e a Verdade, em 2015 – Foto: André Stefano

De braços dados com Ivam Cabral e cercada do elenco do Satyros, o filme Hipóteses para o Amor e a Verdade é apresentado ao público paulistano no Cine Caixa Belas Artes em agosto de 2015 – Foto: André Stefano

Phedra D. Córdoba com a atriz Lorena Borges no lançamento do filme Hipóteses para o Amor e a Verdade, em agosto de 2015 – Foto: Edson Degaki

A atriz cubana Phedra D. Córdoba posa em seu antigo apartamento no Vale do Anhangabaú com o gato Primo Bianco – Foto: Eduardo Enomoto

Núria Casadevall, Phedra D. Córdoba e Maria Casadevall: Phdra passava as festas de fim de ano com a família da amiga atriz – Foto: Arquivo pessoal

Phedra D. Córdoba e Miguel Arcanjo Prado: “Meu jornalista e crítico de teatro preferido”, ela dizia – Foto: Bob Sousa

A diva do Satyros, Phedra D. Córdoba, em cena do longa Hipóteses para o Amor e a Verdade – Foto: Divulgação

Phedra D. Córdoba entre o ator Juan Manuel Telallategui e o jornalista Miguel Arcanjo Prado no Prêmio Shell de Teatro de SP de 2011 – Foto: Silvana Garzaro

Phedra D. Córdoba no jardim do Parque da Luz, em São Paulo, no ensaio para seus 77 anos – Foto: Bob Sousa

Phedra brinca com a estátua do parque da Luz no ensaio para os seus 77 anos com o fotógrafo Bob Sousa – Foto: Bob Sousa

Diva dos palcos, Phedra de Córdoba integra júri do programa Quem Convence Ganha Mais (SBT) – Foto: Divulgação

Phedra D. Córdoba e seu olhar penetrante em seu programa que fez sucesso na internet sob direção do amigo Laerte Késsimos – Foto: Laerte Késsimos

Phedra D. Córdoba quando fez 74 anos e declarou: “nasci para ser diva” – Foto: Walter Antunes/Divulgação

Em novembro de 2015, Phedra D. Córdoba foi ovacionada pelo público presente no encerramento do Recifest – Fotos: Moema França e Rayanne Morais/Divulgação Recifest

Phedra D. Córdoba canta no encerramento do Recifest, em Recife, em novembro de 2015 – Fotos: Moema França e Rayanne Morais/Divulgação Recifest
Grandiosa, e em lindas e maravilhosas fotos! Muito humana! Uma mulher de raiz, que escreveu sua vida em uma bela história de vitórias!! Esteja bem e feliz, e com a sensação de plenitude por ter cumprido seu papel! Salve!!
Que notícia triste!! Eu amei Phedra em A Vida na Praça Roosevelt! :'(