Oscar Filho: ‘Criamos pessoas harmonizadas ou dançarinas do TikTok’ | Podcast do Arcanjo

Oscar Filho - Foto: Willian Abreu/Divulgação - Blog do Arcanjo
Oscar Filho – Foto: Willian Abreu/Divulgação – Blog do Arcanjo

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

“Hoje estamos criando um padrão de pessoas harmonizadas e dançarinas de TikTok”, afirma o humorista Oscar Filho ao Podcast do Arcanjo. Ele está em cartaz todas as sextas-feiras, às 21h, no Teatro MorumbiShopping com o espetáculo Alto Biografia Não Autorizada, solo que nasceu antes da pandemia, mas que teve que ser interrompido e voltou agora nesse momento de retomada do teatro. Retire seu ingresso!

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O solo nasceu a partir do livro escrito pelo ator em 2014. Entre idas e vindas e algumas adaptações, teve sua primeira apresentação no Teatro Itália, à qual compareceu a apresentadora Maisa Silva, com quem ele trabalhou no Programa da Maisa, no SBT.

No papo com Miguel Arcanjo, feito em parceria com a OLA Podcasts, o artista revela que refletiu muito na quarentena. “Não fiz nada, ficava na varanda olhando para o céu e falando ai? Não vai acontecer alguma coisa?”.

O humorista declara alívio com esse retorno. “Foi meio que uma sorte minha ter essa liberação. Se eu fosse ficar em casa eu iria enlouquecer”. E ainda destaca a segurança que o teatro oferece nessa retomada, operando com todas normas sanitárias e 50% da capacidade para manter um distanciamento seguro.

‘Já pensei em usar o sapato do Zezé Di Camargo, mas acho que não precisa’, diz Oscar Filho

O humorista teve responder sobre a sua altura, tema de piadas no CQC na Band, no qual foi repórter. “Eu acho que tenho a mesma altura da Maisa, depende do sapato que ela está usando”, brinca. “Já pensei em usar o sapato do Zezé Di Camargo, mas acho que não precisa”, avisou.

Oscar ainda conta que seu apelido na infância não tinha nada a ver com sua baixa estatura. ”Eu nunca tive trabalho com isso e nunca fui chamado de baixinho. Eu sofria mais com Oscar Alho, nos lindos tempos de Atibaia”, diz, fazendo menção à sua cidade montanhosa.

E afirma que “nem é tão baixo assim”, e que foi só que por trabalhar ao lado de pessoas altas, passava essa impressão. “Como eu fiz o CQC e vivia do lado do Rafinha [Bastos] e do Danilo [Gentili], dava a impressão de ser menor, mas as pessoas se surpreendem quando me veem”, conta.

‘Antes a gente era mais inocente’, diz Oscar Filho

Na entrevista, ele conta que ainda teve espaço para uma reflexão sobre essa onda conservadora e do politicamente correto. “Eu acho que a gente tá num momento muito esquisito. Acho que nunca vivi isso na vida. Estou falando agora, eu nem elaborei isso. A minha impressão é que antes a gente era mais inocente. Como criança. De receber o humor e não saber que não tinha nada por trás; Mas claro que é importante, homofobia é muito grave”, pontua.

E ainda estende essa reflexão para o momento político e de polarização do país. “Não é porque eu faço piadas com Lula que eu sou bolsonarista e vice-versa. Ele revela que lhe interessa mais o impacto que a tensão que esses assuntos geram em seu show. “Eu faço isso de propósito. Mas tem um porquê eu fazer aquilo, não é só piada pela piada. Eu sinto isso e eu vejo outros colegas sentirem”.

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‘Estamos ficando infantiloides’, criando padrão de pessoas harmonizadas e dançarinas de TikTok, diz Oscar Filho

Com o papo se aprofundando, Oscar refletiu sobre o momento de nossa sociedade, que sai de um momento de inocência e segue para comportamentos infantis e de pessoas padronizadas até fisicamente. “Eu acho que nós estamos regredindo. Agora estamos ficando não só infantil, mas infantiloide. Hoje estamos criando um padrão de pessoas harmonizadas e dançarinas de TikTok”, alfineta.

Aproveitando o assunto, o papo volta para seu solo, onde ele fala sobre como o humor trabalha com o patético e ri de si mesmo. “No solo eu falo de mim, eu falo como cheguei até aqui sendo ridículo e patético, que é uma saída também. Até para evitar essa problematização que existe em tudo”.

E volta a refletir sobre o politicamente correto e que muitas vezes é disfarçado de má fé. “A coisa tá tão padronizada que as pessoas perderam a noção do ato artístico. O humorista tá em cena, com microfone na mão, as pessoas estão rindo, tudo evidencia uma cena e o que me leva a crer que as pessoas estão malucas. Já meu amigo Danilo acha que são desonestas [falando sobre o episódio em que o humorista Murilo Couto foi cancelado por fazer piada com ciclistas, com sua fala no palco sendo jogada nas redes fora de contexto]”.

Produtor e redator: Rodrigo Barros

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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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