Marianna Alexandre é Celly Campello no filme Um Broto Legal após destaque em Gênesis: ‘Amo histórias de época’ | Entrevista

Marianna Alexandre - Foto: Pino Gomes/Divulgação - Blog do Arcanjo
Marianna Alexandre – Foto: Pino Gomes/Divulgação – Blog do Arcanjo

Marianna Alexandre conquistou o público como a irmã do Faraó na novela da Record e agora será pioneira do rock em cinebiografia

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

A atriz Marianna Alexandre comemora o sucesso de sua estreia na TV na novela Gênesis, da Record TV, na qual esteve na última fase, José desde 30 de agosto. A artista deu vida a Amarilis, a irmã do Faraó Sheshi (Fernando Pavão) e personagem fundamental folhetim que acabou envenenada na trama. Ela conta que encara este trabalho como um grande desafio, sobretudo pela complexidade de intensas de morte, o que inclui um processo inédito de mumificação.

Apesar da pouca idade, apenas 20 anos, a atriz já traz no currículo musicais do eixo Rio-São Paulo, como Se Meu Apartamento Falasse e a A Noviça Rebelde, no qual alterou a personagem Liesl, aquela que só tem 16 anos, com Larissa Manoela. E ainda realizou dublagens de filmes, séries e animações.

Em 2022, ela estrela o longa sobre a vida de Celly Campello (1942-2003), Um Broto Legal, cinebiografia musical da cantora que foi precursora do rock no Brasil. Altamente conectada como é do feitio de sua geração, Marianna ainda celebra o sucesso do TikTok, com mais de 2 milhões de seguidores e milhares de curtidas e visualizações em seus conteúdos de entretenimento. 

Marianna Alexandre conversou com exclusividade com o Blog do Arcanjo sobre este momento especial da carreira. Leia com toda a calma do mundo.

Marianna Alexandre como Amarilis em Gênesis - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Marianna Alexandre como Amarilis em Gênesis – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Blog do Arcanjo – Você explora muitas vertentes artísticas desde pequena. Chegou a pensar em ter outra profissão?
Marianna Alexandre – Sim, muitas [risos]. É verdade que desde pequena eu já tocava piano e cantava, mas nunca tinha pensado em seguir isso como profissão. Eu era o tipo de criança que trocava de profissão sempre. A última que eu tinha escolhido antes de conhecer a arte da atuação, era a diplomacia. Sempre gostei muito de viajar e aprender outras línguas, então  pensava que essa seria a melhor profissão de todas, mas tudo mudou quando eu fui chamada para fazer um teste para um longa-metragem aos 12 anos, sem nunca ter feito teatro. Fui passando em todas as fases e fiz 1 mês de preparação de elenco com o Luiz Mário Vicente. No final de tudo, gravei o filme O Outro Lado do Paraíso, dirigido por André Ristum. E desde então, eu nunca mais mudei de profissão. 

Blog do Arcanjo – Você já coleciona algumas personagens de época na sua carreira. Como é pra você mergulhar em períodos tão diferentes? É mais difícil?
Marianna Alexandre – Pra mim, é pura diversão. Eu amo me aventurar e sair da minha zona de conforto. Requer muito estudo e dedicação para entender/aprender os costumes de tal período e colocá-los na minha personagem. Como sempre fui muito estudiosa, adoro essa parte de pesquisa e construção da personagem, acredito ser essencial para que tudo saia com verdade e naturalidade. Não acho que seja mais difícil não, só é mais trabalhoso, mas depois que tudo se encaixa, é uma delícia aproveitar os figurinos e os cenários. Sou suspeita pra falar desse assunto, pois já nos cruzamos em todas as áreas, não só na novela Gênesis, mas também no teatro, com A Noviça Rebelde, e no cinema com Um Broto Legal. Amo muito trabalhar com histórias de época.

Marianna Alexandre - Foto: Pino Gomes/Divulgação - Blog do Arcanjo
Marianna Alexandre – Foto: Pino Gomes/Divulgação – Blog do Arcanjo

Blog do Arcanjo – Gênesis foi seu primeiro trabalho na TV. Era um desejo fazer novela? 
Marianna Alexandre – Sempre tive o desejo de trabalhar em novelas, mas não era uma prioridade. Amo muito estar no palco, atuar ao vivo me leva pra um outro lugar, me deixa alerta, pois tudo pode acontecer e eu tenho que estar pronta para resolver. Sem dúvidas essa bagagem teatral me ajudou muito na novela, me deixou segura em cena e na frente das câmeras. Acho que a novela veio na hora certa, eu acredito muito nisso, sabe? E agora que eu conheci esse universo televisivo, confesso que me apaixonei muito e não vejo a hora de outra oportunidade aparecer. 

Blog do Arcanjo – E uma novela bíblica estava nos teus planos? Como foi começar direto em uma trama com essa carga histórica? 
Marianna Alexandre – Foi uma surpresa, não esperava que a minha primeira novela seria com uma história tão marcante como Gênesis. Representa uma grande responsabilidade, tendo um enorme peso para a carreira de qualquer ator. Não é fácil contar esse enredo que é de conhecimento mundial. Mesmo a Amarilis não estando na Bíblia, me sinto honrada por poder complementar essa trama, que carrega um importante significado para tantas pessoas. Acho que debutei em grande estilo [risos] e em um universo que ficará pra sempre na minha memória. 

Marianna Alexandre como Amarilis em Gênesis na Record TV - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Marianna Alexandre como Amarilis em Gênesis na Record TV – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Blog do Arcanjo – Sua personagem tem curvas interessantes e passa por processos marcantes para um ator, como a cena de uma morte. Como foi construir esse momento? A carga emocional muda muito?
Marianna Alexandre – A Amarilis foi um lindo presente, pois ela é uma mulher jovem e muito forte na trama. Mesmo passando por um breve período de tempo na novela, ela conseguiu deixar a sua marca. Lembro que desde o momento que recebi o roteiro fiquei apaixonada  pelo arco da personagem. Percebi que eu iria ter um desafio e tanto pela frente, não só pela cena de morte, mas por toda a trajetória dela. Agradeço muito por ter pessoas e profissionais tão incríveis ao meu lado, me ajudando a contar essa emocionante história. Falando agora um pouco sobre a morte da Amarilis, ela vem cercada de uma sequência de cenas muito desgastantes tanto emocional quanto fisicamente. A minha personagem é envenenada e isso acarreta uma convulsão imediata e contínua. Eu nunca havia convulsionado antes e nem presenciado tal acontecimento, então tive de buscar auxílio em muitas pesquisas e vídeos sobre o assunto, pois queria que ficasse verdadeiro. Depois disso, ela fica inconsciente por algumas cenas, até que constatam o seu falecimento… Sem dúvida, essa foi uma das cenas mais impactantes, pois tive que ficar sem respirar por alguns bons segundos enquanto ouvia e sentia o desespero do Sheshi ao perder a irmã. Por fim, o faraó ordena que mumifiquem a Amarilis, e é aí que começa a parte divertida e, historicamente, muito importante. Fizemos todas as etapas e eu cheguei a ser enfaixada de verdade até o pescoço. Tô muito animada e curiosa pra ver como ficou o resultado.

Blog do Arcanjo – As novelas da Record TV já foram vitrine para muitos atores de musical e Gênesis, em especial, trouxe a novidade da música para a trama. Como enxerga essa fusão das linguagens artísticas? 
Marianna Alexandre – Eu achei simplesmente incrível. Adorei os números musicais, achei que eles completavam muito bem a história. Pena que eu não tive a oportunidade de cantar, mas espero que continuem com essa proposta e que nas próximas eu consiga um número musical (risos). Vai ser tipo um sonho, pois iria juntar o musical com o audiovisual, duas coisas pelas quais sou apaixonada.

Fernando Pavão e Marianna Alexandre nos bastidores de Gênesis - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Fernando Pavão e Marianna Alexandre nos bastidores de Gênesis – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Blog do Arcanjo – Ser atriz é essencialmente atuar, e você vive este processo em todas as áreas que trabalha. O que mais te desafia na atuação, seja no palco, na TV, no cinema ou na dublagem?
Marianna Alexandre – Acredito que o que mais me desafia e o que eu procuro sempre passar em todas essas áreas que atuo é a verdade e a naturalidade que o texto nos pede. Isso é imprescindível na vida do ator, sem isso, a história não convence, a magia não acontece.

Blog do Arcanjo – Para uma atriz que se dedica bastante aos palcos, o que a televisão te ensinou de mais diferente? 
Marianna Alexandre – Com certeza ela me ensinou a estar sempre 100% preparada. O ambiente de estúdio é uma loucura, mas no bom sentido [risos]. É muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, marcações que são passadas na hora, então, se eu não estiver segura do meu texto e da minha personagem, é muito fácil se desconcentrar e não conseguir entregar o que você tanto trabalhou. Me ensinou também a desapegar das cenas, porque como eu estava acostumada com o teatro em que passamos meses repetindo a mesma coisa, ter que gravar apenas algumas vezes e já passar pra próxima cena foi algo interessante de se conquistar. 

Marianna Alexandre como Celly Campello no filme Um Broto Legal - Foto: Divulgação - Blog do Arcanjo
Marianna Alexandre como Celly Campello no filme Um Broto Legal – Foto: Divulgação – Blog do Arcanjo

Blog do Arcanjo – E em breve você fará sua estreia no cinema, como protagonista, no filme Um Broto Legal, dando vida à Celly Campello. O que se pode esperar dessa cinebiografia e da sua Celly?
Marianna Alexandre – Todos podem esperar um lindo filme e daqueles em que todos podem cantar juntos. A história de vida da Celly é muito bonita, foi um grande prazer e uma enorme responsabilidade interpretá-la. Estudei muito sua vida, seu estilo, seus trejeitos, me “transformei” nela desde a atuação até o corte de cabelo (risos), então espero que o espectador vá ao cinema e veja a própria Celly, e não a Marianna interpretando a cantora que fez história na Jovem Guarda. Estou ansiosa para ver esse resultado nas telonas!

Colaborou Grazy Pisacane (GPress Comunicação)

Editado por Miguel Arcanjo Prado

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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