Roberta, Uma Ópera Rock hipnotiza Festival de Curitiba sob gritos de ‘Fora Bolsonaro’ e talento paranaense de sobra

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba*
Curitiba lavou a alma ao som de rock’n’roll em seu cartão postal na abertura do Festival na Rua, a parte gratuita e popular do 30º Festival de Curitiba, com a estreia do musical Roberta, Uma Ópera Rock, com direito a gritos de “Fora Bolsonaro” por parte do público na Praça Santos Andrade, centro da capital paranaense, nestas sexta (1º) e sábado (2).
A obra faz mais uma sessão neste domingo (3), sempre às 19h30. Depois, segue para o Centro Cultural Boqueirão, de 6 a 9 de abril, às 20h.
A superprodução conquistou o público com talento paranaense de sobra e merece ganhar os palcos nacionais.
Obra dirigida por dois ícones do teatro curitibano, Nena Inoue e Maurício Vogue, o musical mostra que há artistas potentes na cena musical local, ao abordar a trajetória de Roberta, uma intensa Priscila Esteves dando vida a uma jovem viciada em drogas que busca uma forma de fugir da dependência química.
Em clima roqueiro ao som da banda Eles Mesmos, a peça agradou os curitibanos, uma das capitais brasileiras onde o rock ainda resiste com um público fiel, presente na plateia do espetáculo e em cima do palco.

Em enredo folhetinesco, que conquista o público, a garota, vivendo em um ambiente hostil, se sente perdida e é constantemente assediada pelo traficante Ugo, o ótimo Marcelo Teixeira Jorge, o Marwem HD. Porém, um dia ela reencontra a esperança com a chegada do amor pelo personagem de Giovanni, intepretado com entrega por Matheus González, o que modifica a vida da jovem. Ainda estão no elenco Amarildo Siqueira e Wilyah Schmitt.
A história é contada através de músicas compostas por Alessandro Sangiorgi, misturando Ópera Clássica e muito rock’n’roll. As canções dão o tom à obra, oscilando entre a melancolia, choque e, em alguns momentos, alegria.

Em uma das músicas, o elenco levantou a bandeira do Movimento Sem Terra (MST) como forma de protesto por agressões aos direitos humanos nos últimos tempos no Brasil. O público foi ao delírio e gritou: “Fora Bolsonaro”.
Nem a chuva fina que caía na noite de estreia foi capaz de afastar o público, que se protegeu com capas e sombrinhas. As escadarias do prédio histórico da Universidade Federal do Paraná ficaram cheias.

Daniele Regis, iluminadora de 49 anos, conta que estava animada para a volta do teatro, depois de dois anos afastada: “Curitiba precisa disso”, ela pontua, dizendo que admira o trabalho do elenco, do diretor Maurício Vogue e do maestro Alessandro Sangiorgi.
A perseverança da audiência chamou a atenção da atriz Margheurita Dissá, que interpreta uma das amigas da Roberta. Ela esperava um público menor por causa do frio e da chuva, mas diz que ficou muito feliz com a estreia: “Voltar para o palco depois de dois anos deixa tudo à flor da pele, tudo muito bom”, celebrou.
Ao final da apresentação, o ator Mawem HD agradeceu a participação de todos e em especial, fez uma homenagem ao Roberto Innocente, escritor da peça, falecido de Covid-19 em abril de 2021, comovendo a equipe e a todos os presentes.
Longa vida a este musical brasileiro.
Roberta, Uma Ópera Rock
Avaliação: Muito Bom ✪✪✪✪
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Roberta, Uma Ópera Rock
Categoria: Musical
Datas: 01 a 03/04 (Praça Santos Andrade) e 06 a 09/04 (Centro Cultural Boqueirão)
Horário: 19h30, de 1º a 3/4, na Praça Santos Andrade, e 20h, 6 a 9/4, no Centro Cultural Boqueirão (R. José Guercheski, 281)
Classificação: 14 anos
Duração: 90 min
Ingresso: Gratuito
Com reportagem por Julia Estevam e Danielly Morais, estudantes de Jornalismo da Universidade Positivo, sob orientação da jornalista e professora Katia Brembatti, em parceria com o Blog do Arcanjo no Festival de Curitiba. Conheça o site UP no Festival.
O jornalista e crítico Miguel Arcanjo Prado viajou a convite do Festival de Curitiba.
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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