Tradutor de Silêncios marca volta de Selim Nigri ao teatro após 35 anos

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Selim Nigri estudou teatro e marcou presença nos palcos cariocas nos anos 1980. Depois, o ator e engenheiro seguiu por novos caminhos na vida, até que teatro bate outra vez à sua porta, após 35 anos distante. O artista estrela o sensível e intimista espetáculo Tradutor de Silêncios, inspirado na literatura do moçambicano Mia Couto, um dos mais importantes autores africanos contemporâneos com traduções para 24 países.
Selim Nigri afirma querer conectar humanidade e sonhos com este projeto, que tem roteiro e direção de Marco Miranda, além de cenografia e figurino de Augusto Pessôa. A obra com entrada gratuita pode ser vista no Espaço Cultural Rudolf Steiner, em Santo Amaro, São Paulo, até 10 de junho, com ingressos disponíveis pela Sympla.
Com esta montagem, o ator pretende criar o que chama de “Arquitetura Social”, abrindo espaços para facilitar a convivência e o diálogo, algo tão caro aos tempos em que vivemos. “Tenho que agradecer à permissão do Mia Couto para utilizar seus textos. A ideia de dar acesso gratuito ao espetáculo veio ao encontro aos objetivos do autor que liberou a sua obra para este espetáculo”, afirma o artista, também produtor da peça.
Os contos escolhidos abordam temas caros ao mundo de hoje, como as relações humanas, o racismo e o machismo. O desafio do roteiro coube ao ator e diretor Marco Miranda para que o texto trouxesse as reflexões com leveza e humor. A música é assinada por Bruno Gomes, e o cenário e figurino coube ao amigo, desde os tempos de teatro, Augusto Pessôa.
Já são mais de 30 anos de experiência em consultoria empresarial, onde falo sobre experiências próprias. Decidi me desafiar para o diferente em uma época tão fechada para o diálogo.
Selim Nigri
ator
“Milagre é haver gente em tempo de cólera e guerra”, cita o artista, retirando a frase de um dos contos de Mia Couto presentes no espetáculo. E completa: “Em tempos agitados como os nossos, quando polaridades se exacerbam, é fundamental ter gente importando-se com a cultura”.

Tradutor de Silêncios
Pequena coletânea de poemas e contos do autor moçambicano Mia Couto
Com: Selim Nigri
Roteiro e direção: Marco Miranda
Cenário e Figurino: Augusto Pessôa
Música: Bruno Gomes
Produção: Aline de Moraes
Estreia: dia 13 de maio
Temporada: de 13 de maio a 10 de junho.
13/05: 20h | 15/5: 18h | 27 e 28/05: 20h | 10/6: 20h
Recomendação: 14 anos
Duração: 60 min
Entrada Franca
Reserve seu lugar com antecedência: https://www.sympla.com.br/evento/tradutor-de-silencios/1549266
Local: Espaço Cultural Rudolf Steiner – 90 lugares
Rua da Fraternidade, 156 – Santo Amaro 11 5523-0537, São Paulo
Equipe
MIA COUTO nasceu em 1955, na Beira, Moçambique. É biólogo, jornalista e autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia. Seu romance Terra sonâmbula é considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX. Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o Camões, em 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa, e o Neustadt International Prize em 2014, e foi indicado para o Man Booker International Prize de 2015. É membro correspondente da Academia Brasileira de Letras. A Companhia das Letras vem publicando toda a sua obra no Brasil. (fonte: Cia das Letras)
SELIM NIGRI é engenheiro de produção pela UFRJ, com especialização em Marketing, Teatro, Aconselhamento Biográfico, Terapia Artística e Coaching (Co-Active Coaching, CTI, EUA). Atuou nos palcos teatrais nos anos 80 e 90, trabalhando com diretores renomados em espetáculos de sucesso. Fortalecido por esta experiência, há 30 anos, sobe em palcos corporativos e educacionais na condução de processos de desenvolvimento organizacional e de identidade estratégica, formação de consultores, coaching e desenvolvimento e mobilização de times e lideranças.
MARCO MIRANDA CASTRO ARAUJO é ator, diretor, roteirista e escritor. Trabalhou com os maiores nomes do teatro brasileiro, como Flávio Rangel, Cecil Thiré, Roberto Bomtempo, e participou de várias produções da Tv Globo, como as novelas Chocolate com Pimenta, Salvador da Pátria, Sassaricando entre muitas outras participações. – Autor de textos, peças de teatro, livros e artigos sobre assuntos diversos publicados em variados veículos, dentre outros livros publicados: Todos Os Trens vão Para Paris, Olhares Obscuros, Os Pássaros voam para o Sul, O Brilho do Escorpião, Gotas de Chuva no Vidro da Janela e Antologia Luiz De Camões.
AUGUSTO PESSÔA Contador de Histórias, Ator, Cenógrafo, Figurinista, Arte Educador, Dramaturgo, Roteirista e Escritor. Bacharelado em Artes Cênicas (Habilitação em Interpretação e Habilitação em Cenografia) pela UNI-RIO. Participou como Ator, Diretor, Cenógrafo e Figurinista de mais de cinquenta espetáculos teatrais. Como Roteirista e Dramaturgo encenou mais de trinta espetáculos. Tem vários livros publicados entre ficção e publicações acadêmicas. Ministra Oficinas e Cursos de Formação de Leitores e Contadores de Histórias desde 1993. Pesquisador do grupo de estudos GELIJ da Cátedra UNESCO de leitura (PUC Rio) desde 2014. Foi Coordenador Artístico do Programa Educativo do Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro (2013 a 2017). Jurado no prêmio Selo Cátedra 10 da Cátedra UNESCO de leitura (PUC Rio). Foi Coordenador Artístico do Programa Educativo do Centro Cultural do Banco do Brasil Rio de Janeiro (2013 a 2017).
BRUNO MONTEIRO Formado pela USP em 2003 em piano, fundou os grupos de música instrumental, Seis com Casca e Ladaalado, com os quais se apresentou no Brasil e na Europa. Escreveu livros infantis que acompanham trilhas sonoras originais. Desde 1998 tem participação nos palcos, onde atua como pianista, compositor de trilha e diretor musical. Entre os trabalhos estão: A vida em vermelho, com Leticia Sabatella cantando PIAF; O que mais você quer de mim, dirigido por Fernando Nitsch, parceiro em vários trabalhos; KD EU? Ou as árvores somos nozes, dirigido por Bete Dorgam e Honra, onde atuou como pianista, com direção de Celso Nunes.
Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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