Marina Sena sobre segundo álbum: ‘Só sai hit, gente’ | Entrevista do Arcanjo na CineOP

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Fotos NEREU JR
@nereujr
ENVIADO ESPECIAL A OURO PRETO – “Oh, Minas Gerais, oh, Minas Gerais…”, cantarolou Marina Sena, assim que entrou em seu quarto, no Hotel Sesc Ouro Preto, abriu a janela e viu diante de si a magnitude das montanhas de seu estado natal — ela é natural de Taiobeiras, no norte de Minas.
A cantora de 25 anos, dona do hit Por Supuesto, fez show na antiga capital histórica mineira na noite desta sexta, 24 de junho, dentro da programação da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, realizada pela Universo Produção, com 151 filmes de oito países de 22 a 27 de junho de 2022.
Aliás, é preciso ser dito que os primeiros grandes shows de Marina, como vocalista das bandas mineiras A Outra Banda da Lua e Rosa Neon, ocorreram em outro festival da produtora, a Mostra de Cinema de Tiradentes, em 2017 e 2020, respectivamente, quando ela foi elogiada por sua forte presença de palco e domínio vocal aqui no Blog do Arcanjo, antes do sucesso de sua carreira solo.
Antes de chegar ao hotel, vinda da frenética São Paulo, onde é vizinha de prédio de Pedro Bial e Fernando Henrique Cardoso, em meio a um mar de concreto, enquanto sua van avançava sob o sol da Rodovia dos Inconfidentes, a artista escolheu uma trilha apropriada para o momento de reconexão com sua terra: O Trem Azul. A composição é de Lô Borges e Ronaldo Bastos para o cinquentão álbum Clube da Esquina (1972), que figura no topo dos melhores já produzidos pela música brasileira e que influencia praticamente todas as gerações posteriores de músicos mineiros, como Marina.

Marina chegou a Ouro Preto muito bem acompanhada de sua enxuta banda — o baterista, namorado e diretor musical Iuri Rio Branco, o baixista Levy Santiago e o guitarrista Janluska —, além de duas de suas bailarinas, Raiana Moraes e Amanda Alves — coreografadas por Fernanda Fiúza, que dessa vez não viajou —, além da equipe e da mãe, Bete Serra, a quem apresentou a cidade que é patrimônio da humanidade.
Bem que outra canção do Clube da Esquina se encaixaria com perfeição à trilha do quarto de Marina Sena, em Ouro Preto, fazendo set list com o Hino de Minas Gerais: Paisagem da Janela, de Lô Borges e Fernando Brant, do mesmo icônico disco Clube da Esquina. Mas, deixemos essa canção para outro dia.
Após uma rápida trilha pelas montanhas para baixar o farto almoço de comida mineira — coisa que Marina sente muita falta vivendo em São Paulo. Ela perambulou pela mata acompanhada da mãe e do namorado, buscando se reconectar à natureza. Afinal, ela precisa manter o olhar fresco para suas composições, que têm um quê de poética barroca, sobretudo se comparada às músicas de outros cantores de sua geração.
Depois da natureza, Marina passeou por Ouro Preto. Foi à Feira de Artesanato da Igreja de São Francisco de Assis, joia barroca esculpida pelo grande mestre negro Aleijadinho em pedra sabão, e trotou pelas pedras da Rua Direita, cercada do casario colonial imponente.

Segundo disco de Marina Sena
Pouco antes do show, após todo o preparo para à altura do encontro com os ávidos fãs ouro-pretanos, boa parte deles jovens universitários moradores das efervescentes repúblicas da Universidade Federal de Ouro Preto, Marina Sena recebeu o Blog do Arcanjo e revelou detalhes do seu novo disco.
Diante do estouro completo de seu álbum de estreia, De Primeira, lançado em agosto de 2021 e cujas dez faixas entraram para a boca dos fãs — que cantam a plenos pulmões em seus shows cada uma das canções —, a pergunta que não quer calar é a seguinte: como será o segundo disco?
Marina não parece sentir pressão alguma com a pergunta, mantendo a tranquilidade mineira que lhe é característica. E a alta confiança também.
“Olha, toda hora a gente faz uma música nova, toda hora! Antes de ontem mesmo, a gente a gente fez uma música nova que a gente está escutando toda hora em looping, inclusive que a gente está viciado nessa música”, confidenciou, antes de dar mais detalhes.
“E aí fica aquela coisa: toda hora faz uma música uma melhor que a outra. Não sei mais o que que vai virar esse disco. Porque vai ser um disco só de hit… aí também já não dá, entendeu? Tem que ter um balanço, tem que ter nuances. Estou tentando não fazer um hit. Agora, no momento, eu estou exatamente tentando não fazer um hit, fazer uma coisa mais experimental. Mas, não tem jeito, só sai hit, gente”, disse, com invejável autoconfiança.
Estou tentado não fazer um hit. Mas, não tem jeito, só sai hit, gente.
Marina Sena
cantora

Após lançar um disco na qual ela mesma domina as dez faixas, Marina Sena fez feats com nomes importantes da cena contemporânea, como a paulistana Gloria Groove, o capixaba Silva e a baiana Illy. O segundo disco de Marina Sena terá convidados especiais? Ela pensa e responde.
“Com certeza, esse vai ser o álbum que vai ter feat, né? Que o primeiro não teve nenhum feat, agora tem que ter feat”, prometeu. Alguém específico? “Não posso contar. Não vou contar, gente, não tem como, vai ser tudo surpresa”, avisou.
E qual a previsão para este novo disco? Marina adianta dados mais concretos: “Eu vou lançar singles esse ano. Mas o disco mesmo só vem ano que vem, em 2023”.
Marina Sena fala do encontro com Gal Costa
Mudando de assunto, Marina também revelou na entrevista como foi conhecer Gal Costa, que inclusive chegou a elogiar seu trabalho: “Marina Sena canta bem”, decretou a diva baiana, para ódio dos haters que têm sádico prazer em criticar a voz de Marina, dona de timbre único.
As duas se encontraram nos bastidores de um festival de música. E como foi para Marina Sena este encontro de peso? No dia, ela parece ter ficado tão sem palavras que apenas postou a foto no feed do Instagram e marcou sua maior referência. Agora, consegue, com as emoções já decantadas, consegue versar mais sobre o momento. “Ah, encontrar com a Gal Costa foi o sonho da minha vida, né? E eu acho que ela gostou de mim. Vou fazer igual a Narcisa. ‘A Xuxa me amou? Não, a Xuxa não me amou’. Eu fiquei que eu encontrei a igual. Eu fiquei: “Ela me amou. Não, ela não me amou. Não, ela me amou, sim. Não, ela não me amou. Não, ela me amou” [risos].
Encontrar com a Gal Costa foi o sonho da minha vida. Eu acho que ela gostou de mim.
Marina Sena
cantora
Amou, sim, Marina. Prova disso é que Gal postou a foto do encontro com a seguinte legenda: “Eu acho importante devolver, retribuir essa nova geração. Eles bebem na minha fonte, assim como eu me influenciei por outros artistas”.
Por fim, antes de deixar o camarim rumo ao palco, Marina Sena prometeu com a confiança que lhe é característica: “Vai ser foda esse show, hein? Vai ser incrível”. E foi.

Marina Sena seduz Ouro Preto e deixa gostinho de quero mais
DO ENVIADO ESPECIAL A OURO PRETO – A noite do segundo dia do 17° festival de Ouro Preto, CineOP, começou com um frio que poderia até fazer as pessoas ficarem em casa, mas isso não impediu com que duas mil pessoas se juntasse para ver o show de Marina Sena.
O público começou a chegar ao local do evento por volta das 18h, para esperar pelo cobiçado ingresso para o show da artista, ao cair da noite a fila foi se formando pelas calçadas da cidade, uma fila quilométrica, que vista pela ladeira do morro, (caminho que esse repórter faz para chegar ao local), transformava a vista da cidade ouro-pretana no quadro Operários, de Tarcila do Amaral.
Afoitos, os fãs entraram no galpão do Centro de Convenções de Ouro Preto por volta das 22h, já sendo recebidos pelo set da DJ Kingdom, que mais uma vez animou a pista durante 2 horas e 40 minutos, tocando muita música brasileira, que ia do rap até o brega.
Marina, entrou em cena, às 00h40, sendo recepcionada com uma calorosa saudação de boas-vindas, com muitos aplausos e gritos animados do público, acompanhada de sua banda, composta pelos talentosos músicos Janluska, na guitarra, Iuri Rio Branco, na bateria, e Levy Santiago, no baixo, além das duas dançarinas, Raiana Moraes e Amanda Dias.

Marina navegou no show pelo repertório do já consagrado álbum De Primeira e ainda fez três músicas frutos de feat com outros artistas, como Apenas um Neném, que gravou com Gloria Groove, e Quente e Colorido, que compôs para Illy, além da inesquecível Ombrim, da antiga e finada banda da artista, Rosa Neon. A noite contou ainda com um cover sensual de La Isla Bonita, de Madonna, que Marina preparou para sua sua turnê internacional pelo continente Europeu e que agora faz parte de seu set.
O público não teve um minuto de descanso, cantando energicamente o repertório inteiro junto da artista. Este repórter deve confessar que, quando chegou na canção Voltei Pra Mim, a comoção que não podia ser maior. Aí o coro se tornou mais intenso e caloroso.

Mas isso a estrela já esperava, pois ao introduzir a música, Marina disse, “essa próxima música o pessoal canta mais alto que Por Supuesto, que foi hit no Tok Tok”. A estrela brincou bastante com a ideia de ser TikToker. Disse que a rede lhe deu uma enorme base de fãs mirime de que teve que fazer muitos vídeos de dancinhas, para o público descobrir que seu maior hit nas plataformas, Por Supuesto, era uma música dela.
Maria, interagiu bastante com seu público, chamando um fã para subir ao palco e tirar uma selfie. Marco Túlio, o escolhido, não conseguiu segurar a emoção e desceu do palco com a cobiçada foto da diva e lágrimas de emoção escorrendo pelo rosto. Sempre de maneira descontraída e alegre, a estrela conduziu a apresentação empolgante e calorosa ao longo de 1 hora e 10 minutos de espetáculo. Infelizmente, não voltou para o famoso bis, deixando um gostinho de quero mais (Colaborou David Godoi).
Blog do Arcanjo mostra como foi show de Marina Sena na CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto pelo olhar do fotógrafo Nereu Jr.



























*O Blog do Arcanjo viajou a convite da CineOP. Colaborou David Godoi.
Veja cobertura completa do Blog do Arcanjo na CineOP
Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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[…] uma entrevista exclusiva para o Blog do Arcanjo e contou um pouco de sua trajetória profissional (leia na íntegra). […]