Leci Brandão – Na Palma da Mão celebra resistência negra com samba no Festival de Curitiba

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba*
Com reportagem de MARIA POHLER
Estudante de Jornalismo da Universidade Positivo, sob supervisão da professora e jornalista Katia Brembatti
“O samba seria para sempre a minha arma”. Esse é o lema que define um símbolo da resistência negra é a estrela desse espetáculo “Leci Brandão – Na Palma da Mão”. Semelhante aos desfiles carnavalescos, peça-chave na vida e na carreira da cantora, este texto terá elementos de uma escola de samba.
Nascida em uma simples comunidade no subúrbio carioca, primeira mulher a integrar a ala de compositores da Mangueira e atualmente deputada estadual em São Paulo, o enredo narra a trajetória da autora de grandes sucessos como “Zé do Caroço”, “As coisas que mamãe ensinou” e “Papai vadiou”.
O “abre alas” é sobre o começo do espetáculo, em que a religiosidade sempre presente na vida de Leci é representada por um homem negro no centro, simbolizando Exu, orixá das religiões afro-brasileiras.
A comissão de frente é composta por três personagens: Leci Brandão, vivida por Tay O’Hanna, sua mãe Dona Leci, papel de Verônica Bonfim, e Sérgio Kauffman, que representa muitos personagens marcantes da vida da sambista, como seu pai, Cartola e Zé do Caroço. Eles desfilaram na avenida, que se tornou o palco do SESC da Esquina.

A força contagiante da bateria é representada pelos músicos, que receberam a nota máxima dos jurados, no caso, o público, que se deixava levar pelo bater da palma da mão em ritmo de samba. Assim como toda harmonia depende de uma composição, o samba, a ancestralidade e a negritude são as letras que dão vida a esse espetáculo.
Um dos componentes cruciais é a atriz Tay O’Hanna, responsável por conduzir a escola, tornando-se a rainha da bateria ao personificar Leci Brandão. Verônica Bonfim, por sua vez, interpretou a tradição da velha guarda ao incorporar a sabedoria e os ensinamentos de Dona Leci.
Ao fim, o público e artistas se uniram para entoar o samba “Isso é Fundo de Quintal”, testemunhando juntos a harmonia de um único instrumento que marcava o desfecho desse desfile.
Ao concluir o musical, o diretor Luiz Antonio Pilar, também recente vencedor do Prêmio Shell, enfatizou a relevância da peça no Festival de Curitiba, destacando a importância de homenagear em vida uma personalidade tão essencial para a música brasileira.
A Mostra de Improvisação Teatral é mais do que um simples espetáculo. É uma celebração da espontaneidade, colaboração e momento. Em sua segunda edição, o evento reafirmou seu lugar como uma das atrações mais emocionantes e imperdíveis do Festival de Curitiba, deixando uma marca indelével na memória de todos os espectadores sortudos o suficiente para testemunhar sua magia.
*O jornalista e critico Miguel Arcanjo Prado viaja a convite do Festival de Curitiba.
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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