Morre Cid Moreira aos 97 anos: ícone da televisão brasileira

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Morreu Cid Moreira, um dos maiores apresentadores da história do telejornalismo brasileiro e grande ícone da televisão brasileira, aos 97 anos. Ele estava internado em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.
Natural de Taubaté, no interior de São Paulo, onde nasceu em 29 de setembro de 1927, a carreira de Cid no rádio começou em 1944, quando um amigo o encorajou a fazer um teste de locução na Rádio Difusora de Taubaté.
Sob a luz do microfone, ele passou os anos seguintes, entre 1944 e 1949, narrando comerciais até se estabelecer em São Paulo, onde trabalhou na Rádio Bandeirantes e na Propago Publicidade.
Em 1951, o jornalista se transferiu para o Rio de Janeiro e foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga, onde teve suas primeiras incursões na televisão. Entre 1951 e 1956, apresentou comerciais ao vivo em atrações como “Além da Imaginação” e “Noite de Gala” na TV Rio.
Sua entrada como locutor de telejornais ocorreu em 1963, no “Jornal de Vanguarda”, da TV Rio, dando início a uma notável trajetória no jornalismo televisivo. Nos anos seguintes, ele trabalhou em diversas emissoras, como Tupi, Globo, Excelsior e Continental, solidificando seu lugar na telinha.
Em 1969, Cid retornou à TV Globo, onde substituiu Luís Jatobá no “Jornal da Globo”. Nesse mesmo ano, ele fez parte da equipe do recém-criado “Jornal Nacional”, que se tornaria a primeira transmissão de telejornal em rede no Brasil. A estreia do programa ocorreu em setembro de 1969, e Cid dividiu a bancada com Hilton Gomes. Dois anos depois, formou uma parceria icônica com Sérgio Chapelin.
Ao longo de 26 anos, Cid se tornou a face mais reconhecida do JN, sua voz ressoando com credibilidade e seu clássico “boa-noite” se tornando uma marca registrada na televisão brasileira.
Em 1996, o programa passou por uma reformulação e novos apresentadores, William Bonner e Lillian Witte Fibe, foram introduzidos, com Cid assumindo a função de narrador de editoriais.
Além do JN, Cid Moreira também foi uma presença constante no “Fantástico”, desde sua estreia em 1973, revezando a apresentação com outros nomes. Em 1999, ele se destacou ao narrar o icônico quadro de Mr. M, um sucesso que fez sua voz ser imediatamente associada ao projeto.
Na década de 1990, Cid começou a gravar salmos bíblicos, culminando em 2011 com a realização do projeto de gravar a Bíblia na íntegra, que se tornou um grande sucesso de vendas.
Em 2010, sua trajetória foi retratada na biografia “Boa Noite – Cid Moreira, a Grande Voz da Comunicação do Brasil”, escrita por sua esposa, Fátima Sampaio Moreira. Durante a Copa do Mundo daquele ano, ele também gravou a famosa vinheta “Jabulaaani!” para a cobertura do “Fantástico” e outros programas esportivos da Globo, adicionando mais um marco ao rico legado de sua carreira.
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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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