Carnaval São Paulo: Religiosidade, Aquarela e Cazuza marcam a primeira noite dos desfiles

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Colaborou Felipe Rocha
Não só de fantasias exuberantes vivem os desfiles das escolas de samba, mas também de temas inteligentes e críticas sociais. Isso foi o que vimos na abertura elegante e criativa do Carnaval de São Paulo, na primeira noite dos desfiles, nesta sexta (28). Ao todo, o Sambódromo do Anhembi recebeu sete escolas de samba do Grupo Especial. Dragões da Real, Mancha Verde e Rosas de Ouro foram os grandes destaques. Junto à elas, desfilaram também Colorado do Brás, Barroca Zona Sul, Acadêmicos do Tatuapé e Camisa Verde e Branco.
A primeira noite dos desfiles foi marcada por temas como: religiosidade, luto, justiça, jogos, fé e homenagem a artistas.
Todas as escolas desfilaram no tempo máximo previsto e a única que apresentou problemas foi a Barroca, que teve dificuldades em entrar com o segundo carro alegórico no sambódromo. Assim, para economizar tempo, optou por não fazer o recuo de bateria.
Confira a seguir os cliques da primeira noite dos desfiles:
Colorado do Brás
Com o enredo homenageando o afoxé Filhos de Gandhy, um dos maiores e mais tradicionais blocos de carnaval do Brasil, a Colorado do Brás abriu a primeira noite dos desfiles de SP.
Os integrantes da escola de samba desfilaram bem animados e usaram roupas inspiradas nos trajes do ativista Mahatma Gandhy. Astros da MPB, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Clara Nunes também receberam homenagem no carro abre-alas.



Barroca Zona Sul
A escola homenageou Iansã, que nas religiões de matriz africana é conhecida como a rainha dos raios, ventos e tempestades. Rainha de bateria da escola, Juju Salimeni veio à frente dos 210 ritmistas representando a divindade.



Dragões da Real
A Dragões da Real, vice-campeã do Grupo Especial em 2024, costuma fazer desfiles bem coloridos e vibrantes e, neste ano, não foi diferente. Além disso, trouxe um enredo que emocionou o público: usou a música “Aquarela”, de Toquinho, para falar sobre o ciclo da vida. Essa é uma homenagem ao neto do carnavalesco Jorge Freitas, o garoto Jorginho, que tinha doença rara e morreu aos 8 anos em 2024.



Mancha Verde
Um dos grandes destaques da Mancha Verde foi, sem dúvidas, Viviane Araújo como rainha de bateria. A atriz veio com a fantasia Canto da Cidade, homenageando a cantora Daniela Mercury. Isso abrilhantou os desfiles da escola, que trouxe um enredo sobre a mistura da fé e do profano na Bahia, contando como o povo baiano carrega a religiosidade com a mesma força com que se permite viver as festas.



Acadêmicos do Tatuapé
A Acadêmicos do Tatuapé trouxe um enredo que grita por justiça em vários sentidos, seja na exclusão social ou no preconceito religioso. As representações que ganharam destaque: Cristo crucificado, mulher queimada sobre uma bíblia, estátua da justiça com uma criança ensanguentada no colo – tudo convidava à reflexão. A inspiração: Martin Luther King, com sua célebre frase: “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar”.



Rosas de Ouro
A Rosas de Ouro caprichou nas fantasias, trazendo um enredo lúdico que contou como os jogos influenciaram a humanidade ao longo dos anos. A expectativa é que o desfile deste ano reverta o péssimo resultado de 2024, quando ficou em 11º lugar, quase sendo rebaixada ao Grupo de Acesso.
A pauta da jogatina trouxe um caça-níquel e roleta gigantes na comissão de frente e um último carro alegórico sobre os jogos eletrônicos, com personagens da Nintendo e do Pokémon.



Camisa Verde e Branco
Última escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial, Camisa Verde e Branco fez o dia do público nascer feliz ao trazer uma homenagem ao Cazuza. A escola mostrou músicas e fases importantes do artista, que morreu em 1990. O samba-enredo trazia várias menções ao repertório do cantor em carreira solo e com a banda Barão Vermelho, como “Faz parte do meu show”, “Exagerado” e “O tempo não para”.



Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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