★★★★ Crítica: Carne Viva, de Luh Maza, cria atmosfera densa com trio de atrizes potentes

As atrizes Tenca Silva, Christiane Tricerri e Mawusi Tulani brilham em Carne Viva, de Luh Maza © Bob Sousa Blog do Arcanjo 2025

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

★★★★
CARNE VIVA
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Qui, 19h, sex e sáb, 20h, dom, 18h. Até 20/4/2025
Sesc 24 de Maio, SP – Compre seu ingresso!

Luh Maza celebra 20 anos de trajetória no teatro, com hábil capacidade de diálogo e de reinvenção. Dramaturga, roteirista, crítica e diretora, ela apresenta Carne Viva, que escreveu aos 16 anos, à mão e em papel, no Sesc 24 de Maio, em realização da Maza Filmes e Produções, produção executiva de Berenice Haddad e produção de Cristiani Zonzini. Ela assina texto, direção — com assistência cuidadosa de Michelle Boesche — e cenografia, indo bem nas funções. A propositiva artista constrói uma sofisticada encenação pós-dramática, que joga com luz e sombra na instigante iluminação de Aline Santini. É impossível deixar de notar a influência do teatro de Bob Wilson. Luh Maza propõe mergulho sensorial em uma atmosfera densa, com três excelentes atrizes que convergem em Uma Mulher. Esta revê seu passado de violências patriarcais. Christiane Tricerri, com a presença que a faz uma das grandes atrizes do teatro paulistano, forma a tríade feminina com a altamente profunda Mawusi Tulani e Tenca Silva, dona de trabalho vocal surpreendente — Soraya Ravenle fez o direcionamento vocal. O texto de 2003 segue atual ao expor a tragédia feminina com pitadas de horror e referências vitorianas nos figurinos de Telumin Hellen e Mari Morais e no visagismo de Louise Helène. Tensionando o tempo, com colaboração de movimento de Bruna Longo e de Castilho, Uma Mulher faz um pedaço de carne para o marido e entra em epifania que a remete a Cristo, literalmente crucificada pela violência de gênero. Ao mergulhar o público nos conflitos internos da personagem, em seu salto no inconsciente — reforçado pela música de Bruno Moraes e sonoplastia de Malka Julieta —, Carne Viva propõe reflexão profunda e poética do que é ser mulher, repleta de carne viva que se desnuda e sangra, mas que não desiste.

★★★★
CARNE VIVA
Avaliação: Muito Bom
Crítica por Miguel Arcanjo Prado
Qui, 19h, sex e sáb, 20h, dom, 18h. Até 20/4/2025
Sesc 24 de Maio, SP – Compre seu ingresso!

Blog do Arcanjo mostra imagens exclusivas de Carne Viva em retratos de Rafa Marques

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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