Festival de Curitiba recebe ícone do teatro brasileiro Mário Bortolotto

Mário Bortolotto comemora 43 anos de underground com seu grupo, o Cemitério de Automóveis, e tem quatro peças na Mostra Fringe © Annelize Tozetto Festival de Curitiba Blog do Arcanjo 2025

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo

Enviado especial ao Festival de Curitiba

Aos 62 anos, Mário Bortolotto continua sendo uma figura marcante no teatro brasileiro. Após sobreviver a uma tentativa de assalto em 2009, quando levou três tiros, o dramaturgo, ator e diretor mantém sua postura franca e direta. Nesta quarta-feira (2), ele conversou com a imprensa sobre as escolhas para a Mostra Fringe, que celebra os 43 anos de seu grupo, o Cemitério de Automóveis.

Bortolotto explicou que a seleção das quatro peças – Deve ser do Caralho o Carnaval em Bonifácio, Notícias de Naufrágios, Whisky e Hambúrguer e Efeito Urtigão – foi pautada por uma questão prática: o orçamento. “Eu precisava de peças que pudessem ser feitas com poucos atores e que os mesmos atores pudessem atuar em mais de uma peça”, revelou, sem rodeios.

Questionado sobre sua forte influência pela dramaturgia norte-americana, Bortolotto não hesitou: “Eu sou roqueiro, gosto de rock. E rock é americano. Eu não gosto muito dos Estados Unidos, mas gosto da cultura deles. É um paradoxo.” A referência à cultura dos Estados Unidos permeia seu trabalho, mas ele reforça que, no teatro underground, ele encontra o espaço ideal para trabalhar de forma radical e sem concessões.

Apesar de ter recebido o Prêmio Shell de Melhor Autor em 2000 por Nossa Vida não Vale um Chevrolet, Bortolotto tem uma visão crítica sobre prêmios. “Depende muito de quem está no júri”, afirmou, ressaltando que há uma década não é indicado a nada. “Eu não faço parte dessa roda de bajulação.”

Gabriela Fortanell, atriz que trabalha com Bortolotto, descreve sua direção como “muito objetiva”, destacando que a principal exigência do diretor é que o texto seja decorado. Para ele, o trabalho no teatro alternativo é o que lhe proporciona satisfação: “Eu sou realizado. ‘Feliz’ é uma palavra pesada.”

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Editado por Miguel Arcanjo Prado

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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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