Homens Pink coloca reflexão sobre envelhecimento gay no palco do Festival de Curitiba

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Enviado especial ao Festival de Curitiba
Não é nada fácil ser uma “bicha velha”, ou “maricona”, como os gays da terceira idade são chamados de forma pejorativa na própria comunidade. Ainda mais quando não são respeitadas ou valorizadas pela nova geração, que insistem em reproduzir o etarismo.
E é sobre isso que busca chamar a atenção o espetáculo “Homens Pink”, propondo reflexão sobre envelhecimento de homens gays ao 33º Festival de Curitiba, onde se apresenta no Teatro José Maria Santos, dentro da Mostra Lucia Camargo. Bem humorado, o artista à frente do projeto, Renato Turnes, comentou sobre a relevância de abordar tabus e a velhice por meio de novas narrativas. “Precisamos falar sobre o envelhecimento de forma inovadora”, afirmou.
“Homens Pink” deriva de um projeto anterior, um documentário dirigido por Turnes, disponível no YouTube, que traz testemunhos de homens gays com mais de 70 anos. Esses personagens, que viveram abertamente suas vidas, serviram de inspiração para o diretor, que cita figuras como o ex-curador do festival e jornalista Celso Curi e outros nomes. Eles compartilharam suas memórias, além de objetos e registros pessoais.

Turnes ressalta que esses “homens pink” experimentaram uma efervescência criativa durante a repressão da ditadura, e o espetáculo busca refletir sobre a experiência de ser um homem gay mais velho com leveza e humor, evitando a tragédia. “A vida é feita de dores e alegrias”, diz ele.
Uma das histórias contadas é a de Julio Rosa, um cabeleireiro que superou uma infância difícil, sendo expulso de casa e adotado por uma travesti. Sua narrativa, apesar de dramática, é contada de forma hilária, representando uma visão livre de sofrimentos. Turnes enfatiza que seu trabalho não é sobre opressão, mas sobre celebrar vidas que sempre se destacaram.
O espetáculo também busca reestabelecer conexões entre gerações impactadas pela epidemia de Aids nos anos 1980, que devastou referências culturais e sociais da comunidade gay. “É essencial que os jovens reconheçam a luta e a vida que existiram antes deles”, conclui Turnes, destacando a importância de uma história coletiva para fortalecer a luta por um futuro mais esperançoso para a comunidade gay.

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Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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