“Será uma noite histórica”, diz Catalunha sobre Divinas Divas no Municipal

Divinas Divas no Municipal nesta quarta às 20h com entrada grátis: o diretor Robson Catalunha (ao centro) cercado pelas divas (a partir da esquerda) Eloína dos Leopardos, Divina Núbia, Márcia Dailyn, Divina Valéria e Jane Di Castro – Foto: Bruno Galvincio – Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL
Esta quarta (29), Dia da Visibilidade Trans, promete ser noite histórica no mais emblemático palco paulistano, o Theatro Municipal. A partir das 20h, com entrada gratuita, o imponente espaço recebe a estreia do espetáculo Divinas Divas. A apresentação reúne pela primeira vez no nobre tablado paulistano artistas que fizeram (e fazem) história na resistência da diversidade nos palcos brasileiros. Nos tempos atuais com conservadorismo e retrocesso em alta, a montagem ganha ainda mais valor.
O ator e diretor Robson Catalunha, cada vez mais à vontade na direção, comanda o espetáculo. A obra reúne as icônicas Jane Di Castro, Divina Valéria, Eloína dos Leopardos e Camille K, além das atrizes convidadas Divina Núbia, que homenageará Rogéria, e Márcia Dailyn, que prestará tributo à diva cubana Phedra D. Córdoba.
“Divinas Divinas é um manifesto sobre a liberdade de sermos quem quisermos ser. Tenho certeza que a estreia no Municipal será uma noite histórica, principalmente pelo momento que o País atravessa. Divinas Divas surgiu na década de 1960, quando o Brasil vivia o auge da ditadura militar, e agora retorna em 2020, em um período tão conturbado da história, inclusive com a volta da censura”, aponta Catalunha.

Divinas Divas no Municipal: Divina Núbia, Eloína dos Leopardos, Jane Di Castro, Divina Valéria e Márcia Dailyn posam na escadaria do imponente teatro paulistano – Foto: Bruno Galvinicio – Blog do @miguel.arcanjo UOL
Junto das divas icônicas que brilharam no palco do Teatro Rival 50 anos atrás, há também personalidades que despontaram mais recentemente, caso de Márcia Dailyn. Ela foi a primeira bailarina trans do Theatro Municipal, e hoje é diva da Cia. de Teatro Os Satyros e da praça Roosevelt, além de musa do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta.
Ela está indicada a melhor atriz no Prêmio Aplauso Brasil justamente por ter interpretado Phedra D. Córdoba, primeira diva da Roosevelt, em “Entrevista com Phedra”, espetáculo dirigido por Catalunha ao lado do argentino Juan Tellategui e vencedor do Prêmio Nelson Rodrigues como melhor espetáculo de 2019.
Foi justamente com Phedra que Catalunha deu passos importantes na direção, quando comandou o espetáculo biográfico dela, “Phedra por Phedra”, em 2015, e o espetáculo-homenagem “Phedras por Phedra”, apresentado no Teat(r)o Oficina semanas antes da morte da cubana e com nomes como Maria Casadevall, Cléo De Páris e Paula Cohen no elenco. O espetáculo também teve participações especiais de Divina Valéria e Divina Núbia.

Observadas por Zé Celso, Divina Valéria e Divina Núbia acompanham a amiga Phedra D. Córdoba no show Phedras por Phedra no Teat(r)o Oficina, pouco antes da morte da diva cubana em 2016, sob direção de Robson Catalunha e Gero Camilo – Foto: Marcos Aspahan – Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo – UOL

Zé Celso, Phedra D. Córdoba, Gero Camilo e Robson Catalunha no show “Phedras por Phedra”, dirigido por Catalunha e Camilo em 2016 no Teat(r)o Oficina – Foto: Andre Stefano/Divulgação – @miguel.arcanjo UOL
Agora, o artista sorocabano radicado na capital paulista há dez anos, a quem Phedra chamava de “Pequeno Notável”, volta ao tema ao reunir no mais importante palco da cidade as grandes amigas de Phedra que fizeram o inesquecível “Divinas Divas” no Teatro Rival, no Rio, na década de 1960.
“São artistas que fizeram história, em meio a um tempo de repressão da ditadura militar, abrindo portas para a luta por direitos da comunidade LGBT+ no Brasil”, reforça Catalunha, lembrando que a trajetória dessas personagens já foi contada no cinema no premiado documentário “Divinas Divas”, dirigido por Leandra Leal.

Divinas Divas fizeram história e agora aportam no Municipal sob direção de Robson Catalunha – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Leandra Leal no lançamento do filme “Divinas Divas” em Botafogo, no Rio: documentário dirigido pela atriz contou a história do lendário espetáculo – Foto: Anderson Borde/AgNews
A estreia de “Divinas Divas” no Municipal integra o Festival Verão Sem Censura, realizado pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, sob direção de Alexandre Youssef, e também o Projeto Novos Modernistas, que leva ao palco onde ocorreu a Semana de Arte Moderna de 1922 a atual vanguarda artística paulistana, sob comando do diretor artístico do Municipal, o palhaço Hugo Possolo.

Eloína dos Leopardos, diva histórica do Divinas Divas está no espetáculo que chega ao palco icônico do Theatro Municipal de São Paulo – Foto: Annelize Tozetto – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Divina Valéria na peça Phedras por Phedra em 2016: grande ícone das Divinas Divas – Foto: Marcos Aspahan

Divina Núbia como Piaf em Phedras por Phedra: convidada a integrar a nova montagem de Divinas Divas – Foto: Marcos Aspahan

A Divina Diva Jane Di Castro: 50 anos de carreira de glamour nos palcos – Foto: Adonay Pereira/Divulgação – Coluna @miguel.arcanjo UOL

Camille K, diva icônica do Divinas Divas, que agora chega ao palco tradicional do Theatro Municipal de São Paulo – Foto: Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Márcia Dailyn, diva da praça Roosevelt e do Satyros, musa do Acadêmicos do Baixo Augusta e primeira bailarina trans do Theatro Municipal, atriz convidada de Divinas Divas; ela está indicada ao Prêmio Aplauso Brasil como melhor atriz pela peça Entrevista com Phedra – Foto: Annelize Tozetto – Blog do @miguel.arcanjo UOL