Tudo Que a Boca Come é o novo espetáculo de dança do Núcleo Iêê inspirado nos entregadores de delivery

Por MIGUEL ARCANJO PRADO
@miguel.arcanjo
Tudo Que a Boca Come é o novo espetáculo de dança do Núcleo Iêê, sob direção de Rafael Oliveira. A estreia está marcada para 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, no Centro de Referência da Dança, que fica debaixo do Viaduto do Chá, no Centro Paulistano. As apresentações são nos dias 20, 21, 22, 23 e 25 de novembro, sempre às 19h, com entrada gratuita. Estão em cena os bailarinos Alex Araújo, Fernando Ramos, Lion Lourenço, Juliana Farias, Rafael Oliveira e Talita Bonfim, além dos músicos Wesley Bahia e Duda Christina. A montagem ainda tem a poesia de Kenyt. A direção de produção fica a cargo de Victor Almeida, com assistência de produção de Camila Silva e Ellen Vitalino. Ainda estão na equipe Tiana Oliveira (alimento), Juliana Jesus (iluminação), Gil Douglas (som), Christopher Silva (cenografia) e Maiwsi Ayana (figurinos), além de Mestre Bigo (provocação) e Silvana de Jesus (ensaiadora).
O espetáculo Tudo Que a Boca Come tem a periferia como foco. Olhando pra quebrada em um momento de crise mundial, se encontram singularidades de um povo que, como na capoeira, cai, mas se levanta, pois o jogo tem que seguir. Entrelançando ancestralidade com a contemporaneidade, o Núcleo Iêê dá vida a um espetáculo poético e reflexivo, usando a pesquisa do ‘Corpo Iêê’ para trazer uma potência única para o trabalho.”
Rafael Oliveira
diretor do Núcleo Iêê

“Tudo que a boca come” é um termo usado dentro da religião Candomblé, quando o babalorixá ou a ialorixá indica uma reorganização espiritual para seu filho ou filha através de grãos, frutas e verduras. Então se usa o termo: “Fazer um trabalho com tudo que a boca come”, expica Rafael Oliveira.
“Quando o Mestre Pastinha traz esse termo para a a capoeira, um campo de reflexão se abre. E em meio a uma pandemia onde a periferia muitas vezes não encontrava “o que a boca come”, o Núcleo Iêê se reencontra com o termo e decide trazer para a cena a ótica de quem viu os momentos em que a boca da periferia não comeu”, adianta.
Tudo que a Boca Come tem como ponto de partida dois mensageiros sagrados. No espetáculo, a representação de Jesus traz consigo a poesia marginal e Exu faz da capoeira sua forma de se comunicar corporalmente. Colocando uma lupa no momento em que a boca da periferia não comeu, o trabalho olha para os entregadores de delivery e se reconhece no povo que alimenta o outro e continua de barriga vazia. Usando a frase de Mestre Pastinha: “Capoeira é tudo que a boca come”. Assim, o espetáculo de dança se alimenta de saberes ancestrais em um trabalho único e potente. Trazemos, então, a capoeira como dança, e com o Corpo IÊÊ, encontramos nesse espetáculo caminhos corporais únicos.

Editado por Miguel Arcanjo Prado
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Jornalista cultural influente, Miguel Arcanjo Prado dirige o Blog do Arcanjo desde 2012 e o Prêmio Arcanjo desde 2019. É Mestre em Artes pela UNESP, Pós-graduado em Mídia e Cultura pela ECA-USP, Bacharel em Comunicação pela UFMG e Crítico da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes, da qual foi vice-presidente. Eleito três vezes um dos melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se. Passou por TV Globo, Grupo Record, Grupo Folha, Editora Abril, Huffpost Brasil, Grupo Bandeirantes, TV Gazeta, UOL, Rede TV!, Rede Brasil, TV UFMG e O Pasquim 21. Foi coordenador da SP Escola de Teatro. Integra o júri do Prêmio Arcanjo, Prêmio Jabuti, Prêmio Governador do Estado de SP, Sesc Melhores Filmes, Prêmio Bibi Ferreira, Destaque Imprensa Digital, Prêmio Guia da Folha e Prêmio Canal Brasil. Vencedor do Troféu Nelson Rodrigues, Prêmio Destaque em Comunicação ANCEC, Troféu Inspiração do Amanhã, Prêmio África Brasil, Prêmio Leda Maria Martins e Medalha Mário de Andrade Prêmio Governador do Estado, maior honraria na área de Letras de São Paulo.
Foto: Edson Lopes Jr.
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